Será que você realmente sabe o que é um hostel?

Além de economizar, você conhecerá um mundo colaborativo que mudará sua maneira de viajar pra sempre.

Se você ainda não teve a oportunidade de se hospedar em um hostel, certamente já ouviu de algum amigo histórias incríveis. Apesar dos inúmeros mitos que ainda existem, é cada vez maior o número de turistas brasileiros que rompem a barreira do desconhecido e experimentam esse estilo único de viajar.

Mas sabemos que você ainda deve estar com muitas dúvidas sobre o que é um hostel, né? Por isso, reunimos aqui as principais perguntas que surgem na cabeça de quem está começando a planejar a próxima viagem e ainda não sabe se deve se arriscar nesse mundo de compartilhamento e troca cultural intensa.

Mas, afinal, o que é um hostel?

Compartilhamento é a palavra chave. Não falamos aqui só do compartilhamento dos ambientes, mas principalmente de experiências. Em um hostel você encontrará pessoas do mundo todo dispostas a conversar e trocar ideias sobre suas vivências, além de se integrar e conhecer mais a fundo os lugares por onde passam.

Esqueça aquela coisa fria de chegar a um hotel, pegar a chave do seu quarto e se trancar lá, sem nem ao menos trocar uma ideia com o recepcionista ou com os outros hóspedes isso não faz parte do que é um hostel de verdade. Normalmente quem trabalha em um hostel, seja na recepção, no bar e em outras funções é um apaixonado por viagens e por ajudar. Nada daquela formalidade toda de um hotel, com funcionários frios e cheios de frases feitas. Você será literalmente acolhido como na casa de um amigo.

Não estranhe, por exemplo, se a pessoa da recepção deixar o balcão, abrir um mapa e sentar no chão contigo para te dar as dicas de ouro da cidade. Dicas de como economizar, ou evitar longas filas e furadas turísticas, que os guias tradicionais dificilmente te contarão, são as preferidas da galera de hostel.

É bem possível que depois de um longo papo alguém no bar do hostel, por exemplo, você se dê conta que está falando com um dos sócios da casa. Isso mesmo, eles sempre estão por perto e nem de longe se encaixam no perfil padrão de um empresário sizudo. Geralmente são jovens empreendedores e entusiastas desse estilo de vida.

Dividir um quarto com gente do mundo inteiro ou escolher um privativo?

Como assim eu vou dormir em um beliche com pessoas que nunca vi na vida? ”. Na verdade, isso é mais simples do que parece num primeiro momento. Que tal se livrar das amarras que nos foram impostas e tomamos como verdades absolutas sobre o que é um hostel?É um ótimo exercício para se conhecer, testar seus limites e entender que as diferenças existem e precisamos aprender a lidar com elas. Isso fará bem para vários aspectos da sua vida, acredite!

Os quartos compartilhados podem ser menores, entre 4 e 6 camas, por exemplo, mas têm opções para quem não se importa em ouvir até 10 ou 15 sotaques diferentes no mesmo ambiente. Aí você escolhe se quer a opção mais barata ou se prefere pagar um pouco mais em quartos menores. As meninas podem optar por quartos femininos que garantem mais privacidade, dizem algumas. Mas não é uma regra já que muitas escolhem – e até preferem – ficar em quartos mistos.

Mas calma, se você ainda acha que não está preparado para isso, pode escolher um quarto privativo, pois a maioria dos hostels hoje em dia têm quartos individuais, para duas pessoas ou pequenos grupos, por exemplo. Quem sabe, depois de ver in loco que isso não é um bicho de sete cabeças, na próxima viagem você não tope encarar um beliche, né? Abra sua mente e seu coração e veja que passar algumas noites com pessoas desconhecidas pode te ajudar a rever muitos conceitos.

Diferenças culturais e de comportamento treinam nossa tolerância e cidadania.

Se você escolher um hostel só pensando em economizar, ou achando que é “um hotel ou pousadinha mais em conta” pode sair frustrado dessa experiência. Apesar de terem preços bem mais atrativos que as hospedagens convencionais, é a integração com pessoas e a troca cultural que atrai grande parte do público. Lembre-se que cada um tem uma bagagem cultural, uma experiência de vida e se comporta de uma maneira que nem sempre é parecida com a sua. Claro que regras básicas de respeito são mundiais, mas sempre haverá um ou outro comportamento que você vai achar estranho ou até mesmo engraçado.

Mas não julgue. Aproveite o momento para tentar entender a realidade dessa pessoa e aprender algo novo. Também não precisa se preocupar se o seu inglês não é o mais fluente ou se o máximo que domina é o famoso portunhol. Vai se surpreender vendo que estão todos se esforçando para se entender – muitas vezes apelando pra mímica – o que rende sempre muitas risadas e muita história pra contar.

O fantasma do banheiro compartilhado. Calma, ele não é tão assustador quanto parece.

Talvez esse seja o grande pesadelo de quem está se preparando para ficar em um hostel pela primeira vez. A gente sabe que você adora seu chuveiro e tem aquele carinho especial pelo vaso sanitário da sua casa. Mas será que compartilhar é realmente tão ruim?

Primeiro é preciso entender que você não terá que tomar banho e nem ter aquele momento íntimo de reflexão (se é que me entendem) na frente de todos. Se você já frequentou uma academia ou clube deve saber como funciona um vestiário, né? No hostel não será muito diferente, com cabines separadas e meninos e meninas em seus respectivos espaços. Sem grandes crises.

Mas e a higiene e a limpeza? Assim como você, os hostels se preocupam muito em fazer o seu melhor para manter esses ambientes sempre limpinhos e cheirosos. A regra é que todos prezem por manter as áreas comuns limpas e organizadas, mas claro que as exceções existem e aí é preciso mais uma vez lidar e entender as diferenças de comportamento do outro.

Encontrou alguma coisa suja? Antes de sair por aí reclamando do banheiro sujo aos quatro ventos, experimente trocar uma ideia com o recepcionista, com o gerente ou até com o dono do hostel. Verá que farão de tudo para resolver isso da melhor maneira.

Quer economizar ainda mais na sua viagem? Aproveite a cozinha compartilhada.

Experimentar as comidinhas de uma cidade nova é sempre uma boa pedida, mas sabemos que o custo de comer fora de casa é alto em qualquer lugar. Se você optou por um hostel que tenha cozinha compartilhada (veja aqui as dicas de como escolher o melhor hostel) que tal trocar uma ideia com algum funcionário e pedir a dica de um supermercado por perto e preparar sua própria comida?

Além de mais econômico, esse pode ser um dos momentos mais ricos em relação à troca de experiências – e de receitas, claro. É muito comum que os hóspedes se juntem para fazer a famosa vaquinha e uma refeição comunitária. É um ótimo momento para experimentar novas receitas e sabores, ou dividir com seus novos amigos seus dotes de master chef. Mas se você preferir pode optar em cozinhar só pra você, claro!

“Mas será que é seguro ficar em hostel? Já ouvi tantas histórias…”

Todos os hostels se preocupam ao máximo com a segurança física e também dos pertences dos hóspedes, mas sabemos que isso depende de diversos fatores que muitas vezes fogem do controle em qualquer ambiente. Problemas acontecem? Claro! Você vai encontrar várias pessoas contando histórias sobre isso, mas também vai encontrar o triplo de pessoas que há anos viajam sem terem tido qualquer dor de cabeça em relação à segurança.

Como a gente explica no passo a passo para escolher um hostel, a esmagadora maioria tem um armário (locker) individual para que cada hóspede guarde seus pertences. Algumas atitudes simples podem evitar que você seja alvo de pessoas mal intencionadas.

  • Nunca deixe suas coisas espalhadas, mesmo que não vá sair do hostel;
  • Leve sempre seu próprio cadeado – de preferência aqueles de segredo, pois além de não correr o risco de perder a chave, são mais difíceis de serem abertos;
  • Procure mexer no seu dinheiro de forma discreta e mantenha-se atento sempre, mas sem grandes neuroses

“Acho que já passei da idade de ficar em um hostel”

Se você ainda acredita que só vai encontrar jovens malucos querendo festa 24 horas por dia, está bem enganado. É bem verdade a faixa etária da maioria dos hóspedes está em torno dos 20 aos 35 anos, mas isso está longe se ser um limitador pra quem já entrou na casa dos “enta”. Quarentões, cinquentões e até quem já passou dos 60 anos podem ser vistos com frequência trocando ideia com a “molecada” nos bares e áreas comuns – alguns são até mais animados que muito ‘jovinho’ por aí.

A verdade é que a sua idade cronológica não vai importar muito. O que fará a diferença na sua experiência será a forma como lidará com o novo e o diferente. Então, se já está rolando uns fios grisalhos por aí, não se intimide e dê uma chance para esse tipo de hospedagem. Lembrando que você não precisa dormir em um beliche se não quiser, pode optar por um quarto privativo.

E aí, ainda ficou alguma dúvida sobre o que é um hostel?

Se você chegou até aqui (sim, sabemos que rolou um textão. Mas foi necessário, né?) e ainda está com dúvidas, dá uma olhada nos outros artigos e matérias do site. Se mesmo assim ainda tiver algo que não ficou muito claro, é só deixar um comentário ou mandar uma mensagem que vamos fazer de tudo para te convencer a experimentar essa experiência.

Mas prepare-se que sua vida de viajante nunca mais será como antes!

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