sábado, junho 15, 2024

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Hostel oferece banho e atrai ciclistas que trabalham na região da Avenida Paulista

Quando as primeiras ciclovias começaram a rasgar São Paulo, muitos não acreditavam que alguém se jogaria no meio do concreto paulistano montado numa bicicleta. Ledo engano. Nos últimos anos, o paulistano se rendeu de vez às magrelas.

Alguns foram conquistados pelo apelo de uma vida mais saudável na metrópole, outros entenderam que algumas distâncias são cumpridas mais rapidamente sob duas rodas do que num carro particular ou de transporte público.

Na região da Avenida Paulista e dos Jardins o movimento de bikes públicas e particulares é intenso durante a manhã e no fim do expediente. Porém, muitos ainda não aderiram a esse modal de transporte para chegar ao trabalho por uma dificuldade estrutural: não é possível tomar um banho nos escritórios.

E temos que combinar que depois de uma pedalada não é nada legal trabalhar o dia todo sem um ducha.

A versão de inverno da placa convida os ciclistas para um banho quentinho, mas o serviço é oferecido o ano todo. Foto: Divulgação/Did´s Hostel

“Vimos essa demanda como uma oportunidade de negócio”, revela a sócia do Did´s Hostel, Helena Ruffato, que decidiu abrir suas portas para que o pessoal dos pedais pudesse tomar um banho e ir trabalhar sem neuras.

“No inverno, colocamos uma plaquinha convidando para tomar um banho quentinho aqui, mas agora no verão tem que mudar, pois ninguém quer água quente com essas temperaturas altas”, diverte-se a empresária. 

Por enquanto, o hostel conta com “um cantinho ainda improvisado” para guardar a bicicleta desses clientes, mas o volume está crescendo tanto que já estão fazendo o projeto para instalar apoios de parede para ampliar a capacidade de bicicletas guardadas.

A divulgação é feita basicamente pelas redes sociais e também pelo boca a boca entre os amigos. O perfil do cliente que paga R$20, pelo banho com direito a toalha, é bem variado. Segundo ela, tem muita gente que não é adepto das bicicletas mas por algum motivo precisa de um banho em algum momento do dia.

“Tem gente que trabalha na região e por morar longe não pode ir em casa para tomar um banho antes de um happy hour ou de um encontro, por exemplo. É só dar uma passada no hostel depois do expediente, tomar um banho e ir pro seu compromisso renovado”, detalha a hosteleira que atualmente empresta shampoo, condicionador e sabonete líquido para os menos preparados, mas já estuda a possibilidade de vender kits de higiene para incrementar o negócio. 

“A gente tava vivendo a vida tranquilamente quando um ônibus com 40 pessoas parou na porta do hostel. Todos desceram para tomar um banho antes de seguir viagem. Foi uma loucura, mas no fim deu tudo certo e eles adoraram”
Helena Rufallo, hosteleira

Hóspedes continuam sendo prioridade

Quem se hospeda tem sempre prioridade para o uso dos banheiros da casa que fica na Alameda Campinas. Porém, eles perceberam que os horários dos dois públicos dificilmente coincidem.“Nunca tivemos problemas, mas a orientação é clara em relação a isso. O hóspede na frente, sempre”.

Apenas uma vez ela e a equipe se viram em apuros. “A gente tava vivendo a vida tranquilamente quando um ônibus com 40 pessoas parou na porta do hostel. Todos desceram para tomar um banho antes de seguir viagem. Foi uma loucura, mas no fim deu tudo certo e eles adoraram”, relembra aliviada. 

É uma oportunidade para quem nunca ficou num hostel e tem curiosidade de saber como é o clima, curtir um pouco da área comum, usar o wi-fi e até tomar uma cerveja gelada antes de encontrar os amigos depois do trabalho. 

Diego Bonel
Diego Bonel
Jornalista especializado na cobertura do mercado de hostels no Brasil. Desde 2017, está mergulhado na vivência dos hostels pelo país. Adora conhecer as histórias dos viajantes pelo caminho e criou o Brasil Hostel News para compartilhar a cultura hosteleira entre os viajantes brasileiros.

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