sexta-feira, junho 14, 2024

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Ao pé do ouvido: conheça curiosidades e a história de SP com passeios audioguiados

Paulistanos também podem aproveitar para conhecer melhor a própria cidade

Caminhar talvez seja a forma mais genuína de conhecer uma cidade. Enquanto andamos percebemos nuances, interagimos com coisas e pessoas que formam o mosaico complexo das metrópoles como São Paulo, por exemplo. 

E se você pudesse fazer alguns desses trajetos com alguém te contando, ao pé do ouvido, muitas curiosidades e os fatos históricos mais importantes que já rolaram por ali, sem ter que marcar horário, esperar um dia específico ou a disponibilidade de companhia?

Prédios históricos, curiosidades sobre os pontos turísticos mais conhecidos e aqueles escondidinhos também. Fotos: Diego Bonel/BHN

Essa é a promessa da novidade em áudio idealizada e concebida pela galera da SP Free Walking Tour, lançada ao mercado em novembro de 2021.

“A ideia é que as experiências pela cidade, desenhadas ao longo de quase 10 anos mostrando São Paulo para brasileiros e gente de todo o mundo, estejam disponíveis para quem quer conhecer a cidade de forma independente; ou mesmo para quem não pode estar nos dias em que os passeios presenciais são realizados”, ressalta Rafael Baracat de Freitas, criador do projeto.

Seja em português ou em inglês, já é possível conhecer dois dos roteiros exclusivamente criados por Rafael e sua equipe. Basta ter um celular com acesso a internet e um fone de ouvido, para deixar a experiência completa.

O mapa do roteiro é geolocalizado e indicado com números, como na imagem da rota pelo centro antigo da capital. Reprodução

A solução foi criada em parceria com a startup brasileira Glocal Audioguide, que disponibiliza os áudios em seu webapp. Não é preciso instalar nada no celular, os roteiros são acessados diretamente do navegador.

Cada áudio fica disponível na plataforma por até quatro dias. Durante esse período é possível repetir o trajeto ou mesmo adiar uns dias em caso de chuva, por exemplo. 

Para quem quiser ouvir tudo em português, não importando qual dos roteiros, o valor é R$ 19; em inglês, sai por R$ 24 cada um. Os outros dois roteiros que ainda faltam, Vila Madalena e Parque do Ibirapuera, serão lançados durante o ano de 2022.

PROCURA POR PASSEIOS PRESENCIAIS É GRADATIVA

Para quem trabalha com base na economia colaborativa o volume é bem importante. Foi exatamente essa parte que Rafael se viu obrigado a repensar durante o processo de reabertura, flexibilizações e retomada do turismo na capital paulista.

“Antes da pandemia era grupo de segunda a domingo, todos saindo lotados e, aos fins de semana, fazíamos dois de cada roteiro”, relembra o empreendedor que, atualmente, mantém grupos em português e inglês apenas aos fins de semana e na segunda-feira.

Grupo de turistas conhecem o Páteo do Colégio, no centro de São Paulo, com o guia Rafael Baracat, da SP Free Walking Tour
O Páteo do Collegio, lugar da fundação da cidade, está entre as paradas obrigatórias. Além do passado, o tour também traz o contexto atual para dar uma noção mais aprofundada da cidade e do país. Foto: Diego Bonel

Além de ter menos grupos saindo, cada um que antes comportava até 40 pessoas, hoje está levando apenas 20 viajantes em cada caminhada guiada.

“Com o avanço da vacinação e a melhora dos números sentimos um aumento em reservas de pessoas do interior e outros estados, além de paulistanos, que estão se sentindo mais seguros e querem conhecer São Paulo de uma maneira mais detalhada”, comemora o empresário que também é um dos guias que vai pra rua mostrar a cidade.

A equipe trabalha sempre de máscara e o mesmo é exigido dos turistas. Além disso, fazem a aferição de temperatura, disponibilizam álcool em gel e incentivam o distanciamento seguro durante o trajeto.

Quem estiver em São Paulo em dias que não tem grupo presencial, mas também não quiser fazer o passeio guiado por áudio pode fechar um tour privado, individual ou para grupos de até 20 pessoas.

Para janeiro de 2022, eles têm planos de retomar os roteiros em inglês às quintas e sextas-feiras.

ENTENDA COMO FUNCIONA UM FREE WALKING TOUR

Rafael Baracat é o responsável por trazer esse conceito de passeios turísticos ao Brasil. Além de gerir todo o projeto e desenvolver os roteiros, treina a equipe e está sempre na rua mostrando a cidade aos viajantes. Divulgação

Foi lá em Berlin, em 2006, que surgiu o primeiro projeto de guiamento com base em contribuições voluntárias. Era uma alternativa aos passeios tradicionais, que já não atendiam plenamente o novo turista que surgia mais independente, desbravador e, incentivado pelo surgimento das novas tecnologias, a viver experiências de maneira diferente.

Primeiro é preciso explicar que, em uma tradução livre, esse estilo de serviço nada mais é que um passeio turístico guiado gratuito.

Apesar de ter grátis (free) no nome, logo no início de cada passeio é avisado que são as contribuições voluntárias que mantém o projeto.

O pagamento da contribuição pode ser feito em dinheiro, colocado em uma sacola passada pelo guia, ou em PIX para turistas brasileiros que preferirem.

Segundo ele, a média de colaboração individual fica entre R$30 e R$50. Mas não tem valor mínimo e nem máximo, claro!

Assim que fez seu primeiro Free Walking Tour em Paris, em 2008, Rafael se encantou pelo conceito.

“É um modelo totalmente transparente, justo e honesto com quem participa, afinal são eles que definem quando valeu a experiência”, ressalta Rafael, que em 2012 resolveu tirar o sonho do papel e trouxe para o Brasil a primeira iniciativa do gênero no país. 

Para participar é preciso entrar no site da SP Free Walking Tour e fazer sua reserva no passeio. A indicação é chegar com 15 minutos de antecedência no local indicado como ponto de encontro para as orientações necessárias. 

“É um turismo sustentável e democrático, pois dá a oportunidade de pessoas que não podem consumir os pacotes tradicionais terem uma experiência pela cidade e pagarem quanto acham que vale e está dentro dos seus limites”, finaliza o empresário.

Nos últimos anos, a iniciativa se espalhou pelo Brasil e pode ser encontrada em destinos como Curitiba, Salvador, Fortaleza, Rio de Janeiro, Paraty, Ilhabela, São João del Rei, Tiradentes, Foz do Iguaçu, entre outros.

Vale sempre dar uma pesquisada para saber se a cidade que você passará suas férias tem projetos similares e se jogar na caminhada guiada.

Diego Bonel
Diego Bonel
Jornalista especializado na cobertura do mercado de hostels no Brasil. Desde 2017, está mergulhado na vivência dos hostels pelo país. Adora conhecer as histórias dos viajantes pelo caminho e criou o Brasil Hostel News para compartilhar a cultura hosteleira entre os viajantes brasileiros.

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